6 perguntas para o Padre Pedro Baldissera
O líder da bancada petista na Assembléia, Padre Pedro Baldissera, acredita que o PT que emergirá das urnas na multiescolha de diretórios marcada para hoje, conhecida como Processo de Eleição Direta (PED), será um partido mais "pé no chão" e voltado para a sua militância. A crítica só não é mais contundente do que a feita pelo parlamentar ao governo de Luiz Henrique da Silveira (PMDB).
Sobre o governador, Padre Pedro, que também já foi prefeito de Guaraciaba, no Oeste, por duas vezes, cobra mais coerência administrativa e o cumprimento da descentralização das políticas públicas e sociais. O distanciamento dialético entre a figura do PT como sigla e o governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva é a explicação dele para os acordos que a União faz com SC, onde a legenda faz oposição ferrenha. Acompanhe:
Que tipo de PT o senhor acredita que deva sair depois das eleições nos diversos diretórios neste domingo?
Padre Pedro Baldissera - Eu não tenho dúvida nenhuma que, a partir do PED, nós teremos um PT que pensa à luz dos nossos movimentos, das nossas organizações. Teremos um PT mais "pé no chão". Comprometido com a realidade e a vida do nosso povo. A candidata que eu apóio (ao diretório estadual), e com toda certeza terá o respaldo necessário para ser a nova presidente, que é a Luci (Choinacki, ex-deputada federal), tem uma identificação muito profunda com a vida, a história, a caminhada do povo e do PT.
Mas, se eventualmente, um dos outros dois candidatos, os deputados Carlito Merss e Cláudio Vignatti, vierem a vencer a eleição o senhor acredita que seria um problema para o partido?
Padre Pedro - Pessoalmente, eu vejo que a nossa militância, nossos movimentos sociais, eles todos irão dar esta direção. Então o presidente vai ter que se adequar a este novo pensar que o PT das bases vai impor, independente de quem ganhar. Sendo Vignatti ou Carlito, não há problema nenhum, pois eles também terão que fazer esta caminhada que as bases estarão propondo.
Quando o senhor fala do ressurgimento da base no PT está fazendo uma crítica ao governo de Lula a partir da ampla aliança que lhe dá governabilidade?
Padre Pedro - Eu entendo que o PT, nesse processo, distanciou-se da sua base. Ele (o partido) tirou o pé daqueles que tanto lhe deram sustentação. Então, é preciso recuperar isso. E esse PED está dando exatamente este passo. O PT, na Assembléia Legislativa, tem um papel de oposição sistemática contra o governador Luiz Henrique.
Qual é maior crítica à atual administração estadual?
Padre Pedro - O governo do Luiz Henrique tem sido o governo do faz-de-conta. Eu posso testemunhar através da própria política de descentralização. Porque não basta descentralizar a estrutura, é preciso que se descentralize as políticas para que o povo possa ter o acesso.
Dentro desta visão, quais os pontos que o PT mais diverge da administração da tríplice aliança?
Padre Pedro - Cito, por exemplo, a educação. O ensino público superior teria que ser descentralizado, como foram as secretarias regionais. Infelizmente, a educação continua centralizada no Litoral e nos maiores municípios (Joinville e Lages), através da Udesc. Assim é a saúde, que a cada dia que passa nós temos mais ambulâncias, mais ônibus vindo de todos os nossos municípios em direção à Capital. E quando nós fazemos referência à questão do Plano Plurianual (PPA) é em relação a isso. As políticas públicas e sociais mais importantes têm menos recursos locados. Aí, dou o exemplo da agricultura. Ela vai ter, nos próximos quatro anos, pouquinho mais de R$ 70 milhões.
O senhor não acredita que há um descompasso entre o que pensa o PT catarinense e a ação do Palácio do Planalto, em dar apoio a pleitos do governo de SC?
Padre Pedro - Na verdade, eu acho que é bom quando se faz a distinção entre o que é o partido e o que é o governo (Lula). Hoje, em nível nacional, é claro que a sigla, enquanto partido, tem que dar a sua posição e a sua contribuição para com o governo. Mas isso não quer dizer que seja a mesma coisa ou sejam totalmente antagônicos os comportamentos. O partido tem a sua independência, a sua atuação e a sua linha. E o governo do presidente Lula, com a grande política de aliança que ele tem feito, de coalizão, sem dúvida nenhuma muitas escolhas se dão de forma diferente do que aquilo que o PT historicamente defendeu e continua a defender.

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